Dizzy Brain
Always confused. Also found here.
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2013-04-24
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2013-04-23
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2013-04-22
KAL’s cartoon: this week, a gathering.
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2013-04-21
I remember when people first realized how much funnier these comics were just without Garfield’s dialog, which Jon was never able to hear anyway. Garfield only ever communicated to us readers in thought balloons, after all. What we’re seeing here is Jon’s canonical reality.
(Source: iraffiruse, via pr1ps)
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2013-04-20
(Source: iraffiruse)
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2013-04-19
A Different Stripe: “I was indeed a cat, many generations ago.”
Paul Gallico was a legendary sports writer and a best-selling author of adventure novels (The Poseidon Adventure among them), but his special subject was the inner lives of the animals we see everyday without paying much mind. We’ve just published his The Abandoned, in which a lonely boy…
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2013-04-18
A guerra dos bons
O homem bom anda sozinho. O homem bom cata guimbas na calçada da fama: não é ninguém, e não tem nada a declarar. O homem bom é singular. Se levado ao plural, o homem bom perde as penas.
(Se o coro grego ocupa o canto do palco, só está lá para fazer hora até a próxima execução na praça.)
A bondade inteira, a bondade segura de si, é uma mulher barbada. Rara, circula entre o hospital e o circo. Se é chamada para tirar uma foto na rua, é pela estranheza, e não pela solidariedade com a sina dos pacientes de disfunções hormonais. O homem bom é exótico como a sua bondade.

A banda do homem bom não consegue achar baixista. Mesmo assim, não falta gente na fila para buscar um certificado e dizer “eu toco triângulo, curto tirar um som com os caras”. Parecer bom é um ativo de currículo, listado entre “Saber trabalhar em equipe” e “Ser movido por desafios”. Fazer propaganda da própria bondade define toda uma forma de ser no contemporâneo: ser nizan da própria alma.
O efeito desse impulso de parecer bom é nítido. Na falta de evidência extrapagodística sobre o Belo e na abundância de fanatismo em nome do Verdadeiro, só resta o Bom nos nossos debates. Não há consenso sobre o Bom, isso é claro, mas há, e de sobra, o desejo de se associar a ele, de vestir sua camisa.
No Brasil, o debate público é uma conversa no interfone, de casa a casa. Alberto grita da casa dele que a Lei das Domésticas não leva em conta a circunstâncias de que elas são “da família”. Doutra ponta, Pedro investe contra o legado da escravidão e descreve o quarto de empregada como uma senzala retrofit. Camilla nega preconceito e pede só, apenas e tão somente um chazinho às dez da noite. A linha ameaça cair, mas Mariana bota a nova lei, assim como todo o avanço humano, na conta do governo. Todos flertam com ideologias mornas ou mortas, todos pegam de orelhada as grandes questões e todos, absolutamente todos demarcam o seu campo como o campo do Bom.

A busca de alinhamento com o Bom é a fonte do nosso arremedo de radicalismo. Nossas disputas mais histéricas têm de um lado cidadãos de bem e do outro gente do bem.
Os cidadãos de bem pedem penas duras, reclamam de decadências (muitas) e anseiam por faxinas morais e existenciais. Para cobrar tudo isso, mostram o seu extrato do Imposto de Renda: “eu pago meus impostos”. A gente do bem grita por mais inclusão e aceitação da diferença, diz militar por grandes mudanças e fala de harmonias possíveis. Sua credencial é a de uma vanguarda reativa, orgulhosa de sua sofisticação: “aquele fanático/fascista/vilão de cinema não sou eu”.
Os cidadãos de bem querem apertos, mesmo que em nome do amor. A gente do bem quer abraços, ainda que forçados.
Os cidadãos de bem territorializam a casa, demarcam cada cômodo como um domínio político: leis invadem sua cozinha, impostos tomam a sua despensa e absurdos povoam a sala com tevê. A gente do bem nega o vizinho, imagina o outro lado da parede como um contraespelho: ali habita a classe média, ali se gesta o ódio, ali mora o atraso.
(No Brasil, todo mundo e ninguém é de classe média. Todo mundo nega ser rico e ri das paredes podres dos pobres. Ninguém é a classe média papai-mamãe. É um fenômeno que só pode ser definido como esnobismo de denúncia.)

De lado a lado, os bons afetam indignações, encenam ódios. Na internet, a forma disso é a de uma mobilização constante, de um “às armas” gritado a representantes comerciais e professores universitários. Tamanha é a frequência de tais convocações que adivinho na fruição delas uma forma de prazer, além daquela do corno em série, o traído pelo real: o prazer de parecer bom. O cidadão de bem e a gente do bem se movem pelo gosto de se sentirem nus de alma: não como nudistas jogando vôlei, mas como tarados sem nada por baixo da capa de chuva.
(Voltei do futuro. Revisei as páginas ainda não escritas, ouvi as histórias ainda não ditas. Cansei a vista com as crônicas de economistas e perdi dinheiro com a maxidesvalorização dos poetas. Perguntei aos taxistas do amanhã sobre o tempo: me responderam sobre a falta de vergonha, a falta de segurança e a falta de jogadores. Fui a um tribunal como testemunha: encontrei uma multidão de aldeia de Frankenstein gritando “Justiça”. Participei de votações eletrônicas sobre as causas dos males brasileiros, e vi mais de uma vez fanáticos vencerem por cansaço. Jovens festejavam massacres. Velhos lamentavam carnavais. Casuístas eram os novos radicais. O futuro era apenas uma hora adiante.)
(Caí no presente. Li as distopias do momento. Todas lamentavam a ameaça a um modo de vida e concluíam que, sem esse modo de vida, nenhuma vida seria possível em modo algum. Todas eram escritas com tinta de fígado. Todas lavavam a alma de gente igual a quem escreveu.)
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Comentário de Bruno Borges:
O homem bom é tão bom, mas tão bom mesmo, que ainda não consegue entender como pôde ter nascido no Brasil. Tem alma branca.
Ronaldo Pelli:
O homem bom ficou tão órfão do paraíso, já que não consegue mais crer nas religiões, que continua tentando receber uma palmadinha carinhosa na cabeça de “bom menino”. Agora, em vez do padre, a audiência pública-privada das redes sociais.
Gabriel Trigueiro:
Escuta só, o brasileiro é jacobino no discurso e PMDbista na ação. Esquerdistas e direitistas são radicais & intransigentes & babões na retórica, mas basta um cafuné e uma paçoquinha que eles se acomodam e fazem coalizões. Se a gente conseguir separar o discurso desses cabras das ações, mantemos nossa lucidez.Leandro Godinho
Bom mesmo é geléia de mocotó Imbasa no copo de vidro.
Ricardo Granja
Rm 3:12 - “Todos se extraviaram e juntamente se fizeram inúteis. Não há quem faça o bem, não há nem um só.”Perdemos a mulher barbada! Dizem que se extraviou no dia em que deixamos de ter vergonha de arrotar o “bom senso”. Sim, pois ficamos tão empanzinados com nosso “bom senso” (ou há entre nós quem se julgue desprovido de tal benesse?) que constrangemos essa senhora felpuda, caímos na ilusão de que por ser já tão estranha, ela sequer ligaria para nossos modos.Os grosseiros incautos agora a procuram lá pelas bandas de “bandas do homem bom”, mas nada encontrarão, pois estas na verdade não passam de “bandas do eu sozinho”, estando apenas obcecadas em contagiar multidões em uníssono desafinamento.Na guerra dos bons, parece que já perdemos a nós mesmos.
João Paulo Palmeira
Às vezes eu tenho a impressão de que a classe média é um espectro. Aliás, que não há classes no Brasil, mas espectros, e as pessoas usam-os de acordo com suas vontades.Na hora das discussões acaloradas, principalmente no meio acadêmico, sempre se arredonda para baixo. Escuta-se um “Não sou você, classe média que tem tudo que o papai dá!”, com uma raiva pitoresca a fim de sacralizar o lamento, como se devêssemos nos envergonhar de alguma coisa. O espectro do pobre se confunde com o do classe média baixa no qual se é o trabalhador bom, honesto, o contribuinte, pagador de impostos (fique com essa palavra na cabeça, impostos).Já o rico é o espectro que todos querem chegar, mas que ao mesmo tempo, todos atacam. Quando se quer acusar alguém com condições, arredonda-se pra cima: viajou pra Europa? Tem carro zero? Não come o sebosão do seu Fernando? SEU RICO. A partir de aí você é o alvo, o mau, o egoísta, o empresário que corrói a nação, o capitalista sedento por lucro. -
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2013-04-17
David Butter: A morte do injustiçado
Ser brasileiro é começar uma em cada duzentas frases com “Ser brasileiro é”. Para estourar a média: ser brasileiro é morrer injustiçado.
No Brasil, todo atestado de óbito é uma petição. Nossas carpideiras não choram: lamentam a ingratidão dos vivos. Se estas linhas fossem de Nelson Rodrigues, a…
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2013-04-16


